A matéria prima de tudo que é bomPhilipe Kling David Olá pessoal. Dessa vez falaremos sobre um recurso que está presente nos melhores filmes, nos mais incríveis comerciais, as mais belas histórias e em todo o resto das produções culturais humanas. Algo que não pode ser mensurado em quantidade, preço ou mesmo aprendido. Apenas desenvolvido. E principalmente, não depende de tecnologia para existir. Estou falando da criatividade. De todas as faculdades humanas a criatividade é um permanente mistério, que intriga os cientistas de todo o mundo há centenas de anos e permanece como uma das fronteiras ainda inacessíveis da alma humana. Todos nós reconhecemos uma obra originalmente criativa quando vemos uma. Da mesma maneira, reconhecemos uma obra copiada ou pobre em criatividade quando nos deparamos com ela. Mas definir o que seria algo criativo não é fácil. Apesar de ser uma coisa que todos deveríamos ter, e que o mercado de trabalho vem valorizando cada vez mais, facilmente podemos notar que algumas pessoas são notóriamente mais criativas que outras. Bom, posso estar errado, mas eu imagino que o criativo seja o cara que costuma pensar diferente da maioria, levando a um passo adiante o desenvolvimento em determinada área. Curiosamente, nem toas às áreas aceitam bem as pessoas criativas. Já ouvi e presenciei situações onde quem faz diferente é chamado de “engraçadinho”, “maluco”, “estranho”, “pavão”, “Professor Pardal” e toda a sorte de adjetivos maliciosos que rotulam a pessoa criativa como se a prendessem numa camisa de força. A pessoa criativa costuma ser alguém com uma baixa quantidade de auto-sensura prévia. Isso significa que ela tem a capacidade de verbalizar as idéias com maior facilidade sem que um mecanismo de julgamento da idéia entre em ação, boicotando uma potencial idéia genial que poderia nascer de uma idéia estapafúrdia a primeira vista. Os mecanismos do processo criativo não foram completamente explorados, entretanto, já se sabe que existe uma certa correlação situacional e o potencial criativo. Observando pessoas que trabalham em atividades repetitivas e mecânicas, vemos que há um baixo potencial de criatividade nessas pessoas. Daí alguns pesquisadores defenderem a teoria de que o ócio faz parte fundamental do processo criativo. O censo comum já sabia disso há anos ao inventar o provérbio “Cabeça vazia, oficina do capeta!”. Mas a pura verdade é que trabalhos extenuantes, chefes ranzinzas e atividades repetitivas inibem o impulso criativo. Da mesma maneira, situações de opressão podem ter efeito liberador da criatividade. Um exemplo disso é a explosão criativa que a Música Popular Brasileira teve no período da ditadura. Nesse caso, a criatividade vem como um elemento de libertação. Podemos notar isso também nas escolas. Quem nunca teve idéias geniais nas aulas mais chatas? A mente tende a desligar do desprazer e isso libera o processo criativo. Da mesma maneira, o contato com pessoas criativas em ambientes propícios, produz criatividade. É por isso que estúdios, produtoras e agências, costumam ser bons lugares para se encontrar criatividade. A qualidade de vida está intimamente associada ao potencial criativo. Assim, o profissional criativo costuma também ser uma pessoa feliz. Mas é interessante ressaltar que a criatividade aplicada, isto é, a criatividade direcionada a um objetivo, pode ser desenvolvida com técnicas especiais, e assim salvar uma campanha, projeto ou roteiro do fracasso iminente. Está claro para a ciência psicológica que quanto maior o leque de experiências que o indivíduo tiver acesso, maior as chances dele gerar idéias criativas. Isso pode ser compreendido através das milhões de inter-conexões cerebrais instantâneas que são desencadeadas através dos estímulos externos. Com mais possibilidades de inter-conexões, maior nosso “banco de dados”. Logo, mais chances de idéias criativas surgirem. Isso explica porque os grandes publicitários estão o tempo todo em atividades diversas. Lendo livros, falando com pessoas, indo a museus, folheando revistas dos mais diferentes assuntos, assistindo a toda sorte de porcarias e bons programas da Tv sem preconceito. Da mesma maneira é com os artistas digitais. Quando se conversa com grandes artistas do mundo a arte digital, eles são os primeiros a indicar para os iniciantes buscar boas referências sempre. A começar por “ver”. Treinar o olhar e ler tudo que estiver a seu alcance. A criatividade precisa ser encarada como um elemento único na escolha de um profissional e isso vem sendo muitas vezes comprovado nos grandes estúdios nacionais, onde o bom humor e a criatividade estão acima do conhecimento específico de software nos quesitos que apontam a escolha de um artista para o quadro de um estúdio. Entender isso é muito simples. Um profissional criativo pode surgir com uma idéia genial, que evita dias de render, horas de trabalho inúteis, atende bem a necessidade do cliente e com isso ele paga seu custo rapidamente.
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