AS DROGASPhilipe Kling David Introdução
Nos dias de hoje, dificilmente encontramos nos grandes centros pessoas que não consumam drogas. Elas fazem parte da vida cotidiana e entram em nossas casas pelo rádio, tevê, jornais e revistas, nos obrigando a acostumarmos com esta realidade. Erra quem acredita também que a droga é um problema oriundo da modernidade ocidental. O problema das drogas é amplo por demais e merece uma atenção detalhada por perpassar conceitos diversos como moda, sociedade e período histórico, entre outros. Nesse caso, vemos a droga enquanto um produto da cultura humana geral, possuindo uma multiplicidade de aspectos impossíveis de serem levantadas em completude devido aos milhares de estudos realizados sobre o tema, o que proporciona por um lado fácil acesso ao material, e por outro uma certa dificuldade na compreensão dos dados colhidos, que graças a quantidade de informações acabam se “embolando” e algumas vezes até se contradizendo. A amplitude do conceito de drogas acaba por proporcionar apenas um estudo superficial da questão, embora acredito que tenha conseguido dados suficientes para propiciar uma compreensão global do problema das drogas no mundo, a medida que falamos sobre as principais, de narcóticos a inalantes; de álcool a cigarros. No estudo das patologias mentais, Medicina e Psicologia, a droga terá especial importância na medida em que possibilita compreendermos as modificações que exerce sobre a mente humana, levando em conta também que a droga tem relações estreitas, aparecendo em alguns casos na qualidade de deflagradora de desordens psíquicas e aparece muitas vezes associada a distúrbios como a psicose e esquizofrenia e outras vezes como um tratamento autorizado para lidar com sessões de psicoterapia. Para realizar esta pesquisa recorremos a fontes diversas como revistas e a INTERNET, na esperança de conseguir dados mais recentes dos estudos sobre o tema. Há poucos dias do início deste trabalho, um adolescente viciado em drogas e com histórico psiquiátrico sério de desordens psicológicas foi a um cinema de classe alta em São Paulo armado de uma submetralhadora israelense e disparou inúmeros tiros para a platéia até ser contido pelos próprios espectadores. Este precedente abriu uma série de discussões acaloradas nos meios de comunicação sobre as desordens mentais e o uso de drogas, o que dá um enfoque atual ao trabalho, mas deixou a composição do mesmo mais difícil à medida que dados antigos estão sendo revisados, bem como estão sendo questionados os posicionamentos dos médicos e psicólogos e sua implicação ética com pacientes drogados potencialmente perigosos. Os viciados em drogas geralmente encontram dificuldades para se libertarem do vício. Isso piora quando os viciados estão passando por problemas na esfera psiquiátrica e ou sem o apoio da família. Neste caso, colocamos ao fim das descrições dos tipos de drogas as formas de tratamento mais usadas e eficazes até agora. Uma outra questão interessante é o fato de alguns pacientes de instituições psiquiátricas passarem a um estado de dependentes das drogas usadas para conter os surtos psicóticos e outras ministradas algumas vezes em conivência dos psiquiatras. Os estados causados por determinadas patologias se aproximam muito das reações causadas pelo consumo de drogas. Por isso o estudo dos vários tipos, desde sua história até sua composição e o seu passeio pelo organismo e suas reações poderão fornecer uma base mínima que permita compreender os comportamentos patológicos dos portadores de transtornos mentais, bem como ajudará no contato com pacientes drogados no futuro e num trabalho de conscientização e prevenção mais eficaz.
A dietilamida do ácido lisérgico (LSD) é a mais poderosa droga conhecida: menos de 30 gramas são suficientes para produzir mais de trezentas mil doses. Devido a essa potência, a dosagem de LSD é medida em microgramas, sendo que cada micrograma eqüivale a um milionésimo de grama. Cem microgramas são suficientes para produzir uma viagem, como o efeito da droga é conhecido. Em estado puro, o LSD - um derivado semi-sintético do ácido lisérgico - apresenta-se na forma de cristal, podendo ser também produzido, com potência cinco mil vezes maior que a da mescalina e duzentas vezes maior que a da psilobcina. Doses vendidas ilegalmente costumam ter de 50 a 400 microgramas, produzindo efeitos por um período variável entre 8 e 12 horas. Overdoses de LSD podem acontecer mais facilmente do que com outras drogas, já que é difícil medir quantidades tão minúsculas. Alguns pesquisadores, entretanto, sugerem que uma verdadeira overdose de LSD ocorre apenas com a ingestão de quantidades fantásticas, em torno de 7 milhões de microgramas. A história do LSD é relativamente recente. Ela começa em 1943, com o químico suíço Dr. Albert Hoffman, que trabalhava para os Laboratórios Sandoz pesquisando derivados do Claviceps purpurea, também conhecido como ergot, um fungo que atacava o centeio. Os alcalóides desse fungo já haviam sido isolados alguns anos antes, mas pela primeira vez o Dr. Hoffman constatou sua presença em plantas mais elevadas, da família das Convolvuláceas. Essas plantas - a Rivea corymbosa e a Ipomoea violacea - eram empregadas há séculos na América Central pelos índios zapotecas. Acredita-se que os alcalóides sintetizados por Hoffman no fungo do centeio foram responsáveis pelos delírios que acompanhavam os sintomas da peste negra que grassou pela Europa, na Idade Média, quando populações inteiras eram intoxicadas ao comer pão feito com centeio contaminado pelo Claviceps purpurea. Ao realizar experiências com o ácido dietilamida d-lisérgico, a vigésima quinta substância extraída numa série de testes com o fungo, o Dr. Hoffman absorveu, acidentalmente, através da pele, uma quantidade mínima de droga. Intrigado com os efeitos que experimentou, o cientista batizou a substância como LSD-25 e resolveu fazer novas pesquisas com ela, escrevendo mais tarde um relatório que chamou a atenção do mundo científico para a descoberta de uma droga que, segundo Hoffman, podia deflagrar um estado de realidade alterada. No começo da década de 60, o LSD-25 foi empregado experimentalmente em sessões de psicoterapia, principalmente nos Estados Unidos, onde seu uso era legal. Das clínicas e das universidades, a droga espalhou-se para o mundo, transformando-se, junto com a "beatlemania" e a revolução sexual, em símbolos de uma época que, para muitos, representava o início da Era de Aquário. Embora seu uso tenha sido legalmente restrito a partir de 1963, o ácido lisérgico continuou sendo fabricado em laboratórios clandestinos e consumido em grande quantidade. Mas, a partir de 1969, seu consumo começou a diminuir, ao mesmo tempo em que se desvanecia o sonho dos anos 60. Nas décadas posteriores o LSD se tornou droga fora de moda e hoje o seu uso é raro. Enquanto esteve em voga, o ácido lisérgico influenciou profundamente a música, o cinema, as artes plásticas e os costumes, num amplo movimento que ficou conhecido como psicodelismo. O LSD-25 é classificado oficialmente como droga alucinógena, embora alguns especialistas sustentem que a substância não pode ser considerada dessa forma pois não provoca alucinações. Assim considera-se que a substância seja uma droga psicomimética: ela induziria sintomas que simulam, ou mimetizam psicoses, como a esquizofrenia. Mas nada disso está demonstrado. O que se sabe com certeza é que o LSD permanece no cérebro durante um período de vinte minutos. A maior parte da droga vai para o fígado e os rins, sendo que o ácido lisérgico pode ser detectado na corrente sangüínea apenas por duas horas depois de ingerido. Relatórios norte-americanos afirmam que os efeitos do LSD são resultado da liberação ou da inibição de substâncias que já existem no cérebro, as quais alteram o equilíbrio químico desse órgão. Quer dizer, não é a droga que causa alterações de consciência - o LSD deflagra, isto sim, reações do próprio organismo. Os primeiros efeitos do LSD são físicos e começam cerca de uma hora depois da ingestão da droga. Eles variam de uma vaga sensação de ansiedade à náusea, sendo acompanhados por aceleração de pulsação, pupilas dilatadas, elevação da temperatura, batimento cardíaco e pressão sangüínea, além de inquietação e redução do apetite. Em seguida, o usuário entra num estado de grande sugestionabilidade: impressões subconscientes afloram aos borbotões, enquanto a capacidade de receber e analisar de forma estrutural as informações do ambiente fica distorcida, podendo até desaparecer. A experiência, que varia muito de uma pessoa para outra, pode induzir a sinestesia, um estado de cruzamento dos sentidos, no qual o usuário "vê" a música e "ouve" as cores. A percepção espacial também é alterada e as cores têm sua intensidade realçada; imagens caleidoscópios e tridimensionais flutuam no vazio. Estes efeitos levam a uma relação estreita com pacientes delirantes e psicóticos, pois ao uso do Ácido Lisérgico o usuário perde significativamente a capacidade de interpretação e juízo crítico das sensações que experimenta, crendo que tudo aquilo seja mesmo real. O sentido de tempo se desfaz, e passado, presente e futuro parecem não ser fronteiras. Alguns pesquisadores afirmam ter documentado empregos terapêuticos do LSD, já que a substância induziria "auto-aperfeiçoamento, aumento do interesse por questões filosóficas, teológicas e cosmológicas, e iluminação espiritual. Respostas emocionais e padrões aprendidos de comportamento podem ser alterados pela droga, resultando numa eventual mudança de estilo de vida. Empatia e comunicabilidade podem ser alteradas até chegar ao ponto da telepatia, embora todos esses efeitos possam ser resultados de características da personalidade de cada usuário. Muitas das grandes mudanças de estilo de vida atribuídas ao LSD podem ser podem ser explicadas sociologicamente em vez de quimicamente". Autores norte-americanos consideram que a droga não gera dependência física, mas provoca tolerância se diversas doses forem tomadas sucessivamente. A dependência psicológica também é rara, uma vez que a intensidade da experiência lisérgica desencoraja os usuários a consumirem novas doses num curto período de tempo. A tolerância diminui rapidamente à medida que a ingestão de LSD é reduzida, tendendo a desaparecer três dias depois da suspensão do consumo. Não existem sintomas documentados de síndrome de abstinência. Também devido à intensidade da "viagem" causada pelo LSD, o usuário pode ficar mais sujeito a acidentes, e este talvez seja o maior dos perigos provocados pela droga. Os estudos médicos são raros e incompletos, sendo que, em 1967, nos Estados Unidos, foi publicado um relatório afirmando que o ácido lisérgico pode danificar os cromossomos. Testes de laboratório sugeriram que o LSD talvez cause alterações cromossômicas, assim como a cafeína, os raios X, as infecções viróticas e as queimaduras solares. O usuário de LSD também está sujeito as chamadas bad trips, ou "viagens ruins", nas quais pode ser levado a estados emocionais depressivos, que podem evoluir para reações psicóticas e paranóia. Em casos extremos, esses estados podem prolongar-se por toda a viagem, que se transforma em verdadeiro pesadelo. Tais problemas são geralmente causados pela predisposição do usuário, embora também possam ser resultados de adulterações no LSD vendido ilegalmente sob a forma de cápsulas, comprimidos, micropontos, gotas em papel mata-borrão e folhas de gelatina. Outro efeito colateral a que se sujeita o usuário de LSD é o fenômeno conhecido como flashback, no Brasil chamado na comunidade hippie de “Rebordosa”, um retorno ocasional dos efeitos da droga muitos dias depois de ela ter sido tomada. Ainda não se sabe o que provoca o flashback, embora se acredite que ele seja um processo psicológico e não químico. Mesmo assim, existem suspeitas de que o flashback possa ser disparado por fadiga psicológica ou ingestão de remédios antiestamínicos. Os efeitos a longo prazo do uso de LSD não foram determinados. Entretanto, sugere-se que a chance de reações psicóticas seja mínima, desde que a droga seja ingerida com certas precauções. Administrada em experiências científicas com pessoas clinicamente classificadas como saudáveis, e devidamente alertadas sobre as alterações psicológicas que enfrentariam, a droga demonstrou não provocar maiores danos. Paradoxalmente, quando tomado sem supervisão médica especializada, o LSD pode resultar em estados temporários de pânico, medo, depressão e psicose permanente em alguns casos. Um dos efeitos raros da droga é o "desmascaramento" de personalidades psicóticas que, embora aparentemente normais, deixam aflorar conflitos internos reprimidos ao ingerir LSD.
A palavra alcoolismo foi empregada, pela primeira vez em 1856, por um médico sueco, Magnus-Huss, como o conjunto das conseqüências da ingestão do álcool. O conceito da O.M.S.(Organização Mundial da Saúde), alcoólatra é um bebedor excessivo, cuja dependência ao álcool chegou ao ponto de criar transtornos em sua saúde, física e mental; nas relações interpessoais e na sua função social e econômica e que, por isso, necessita de tratamento. Depressor geral do SNC (Sistema nervoso central) em baixas doses deprime o sistema reticular liberando o córtex e promovendo euforia e desinibição comportamental, sedação e com o aumento da dose, hipnose. O conjunto das ações sedativas, desinibidora e hipnóticas, aliado à facilidade de obtenção, tornam as bebidas excelentes mascaradores ou conteporizadores de situações de tensão emocional. Entre 1 e 10% da população mundial acima de 15 anos, consome diariamente o equivalente a 150 ml de etanol puro, que é considerado como uso excessivo. Cerca de 9 milhões de pessoas nos Estados Unidos são alcoólatras e metade dos casos de cirrose hepática na Inglaterra são atribuídos ao álcool. A dependência ao álcool é diagnosticada quando ocorre consumo excessivo, ou com frequência ou em situações consideradas impróprias para os padrões culturais do indivíduo ou ainda quando esse conjunto é suficientemente grande para comprometer a sua saúde ou seu funcionamento social.
Alteração hormonal
As características da dependência do álcool são assim sumarizadas pela OMS-Organização Mundial da Saúde: 1 - Dependência psíquica leve e intensa; 2 - dependência física que é detectável apenas após consumo consideravelmente maior que o normalmente aceito pela sociedade; 3 - Desenvolvimento de tolerância que é irregular e incompleta, com persistência dos distúrbios de comportamento conseqüentes aos efeitos farmacodinâmicos da droga. Tolerância cruzada mútua mas incompleta entre álcool e barbitúricos(existe tolerância cruzada entre álcool e outros hipnóticos e ansiolíticos). 4 - São conseqüências freqüentes do alcoolismo, alterações orgânicas devido à alimentação e higiene inadequadas, como hipovitaminoses, cirrose hepática, neuropatias periféricas e centrais. 5 - A síndrome de abstinência ao álcool pode chegar ao "delirium tremens" que uma síndrome constituída por desorientação, agitação, febre alta, alucionações visuais e tácteis, tremores, distúrbios hidro-eletrolíticos e que se não tratados pode ser fatal. Esta síndrome caraceristicamente desaparece após a ingestão de álcool, mas o tratamento oficial consiste em cuidados gerais e doses altas de psicolépticos, especialmente o clordiazepóxido ou neuroépticos como o haloperidol.
Sob a designação geral de anfetaminas, existem três categorias de drogas sintéticas que diferem entre si do ponto de vista químico. As anfetaminas, propriamente ditas, são a dextroanfetamina e a metanfetamina. Existem no mercado vários produtos que podem ser enquadrados numa dessas três categorias. São eles: Benzedrine e Bifetamina, anfetaminas puras; Dexedrine, um sulfato de destroanfetamina, com estrutura molecular semelhante ao hormônio epinefrine (adrenalina), que é uma substância secretada no corpo humano pela glândula supra-renal nos momentos de susto; Dexamil, uma combinação de dextroanfetamina e amobarbital, um sedativo; Methedrine e Desoxyn, metanfetaminas puras; Desbutal e Obedrin, combinações de metanfetamina e pentobarbital, um barbitúrico; e Amphaplex, um coquetel de metanfetamina, anfetamina e dextroanfetamina. Preludin, uma droga que difere quimicamente das anfetaminas, é enquadrada nesse grupo por causar os mesmos efeitos. Em estado puro, as anfetaminas têm a forma de cristais amarelados, com sabor intragavelmente amargo.Geralmente ingeridas por via oral em cápsulas ou comprimidos de cinco miligramas, as anfetaminas também podem ser consumidas por via intravenosa (diluídas em água destilada) ou ainda aspiradas na forma de pó. A anfetamina surgiu no século 19, tendo sido sintetizada pela primeira vez na Alemanha, em 1887. Cerca de 40 anos depois, a droga começou a ser usada pelos médicos para aliviar fadiga, alargar as passagens nasais e bronquiais e estimular o sistema nervoso central. Em 1932, era lançada na França a primeira versão comercial da droga, com o nome de Benzedrine, na forma de pó para inalação. Cinco anos mais tarde, a Benzedrine surgiu na forma de pílulas, chegando a vender mais de 50 milhões de unidades nos três primeiros anos após sua introdução no mercado. Durante a Segunda Guerra Mundial, tanto os aliados como as potências do Eixo empregaram sistematicamente as anfetaminas para elevar o moral, reforçar a resistência e eliminar a fadiga de combate de suas forças militares. Tropas alemãs, como as divisões Panzer, empregavam a Methedrine. Já a Benzedrine foi usada pelo pessoal da Força Aérea norte-americana estacionado em bases na Grã-Bretanha. Em território dos Estados Unidos, entretanto, o uso das anfetaminas por pessoal militar só foi oficialmente autorizado a partir da Guerra da Coréia. A febril produção de anfetaminas para atender aos pilotos da Luftwaffe, a força aérea de Hitler, gerou excedentes que provocaram uma verdadeira epidemia anfetamínica no Japão. Perto do final, da guerra, os operários das fábricas japonesas de munição receberam generosos suprimentos da droga, que era anunciada como solução para eliminar a sonolência e embalar o espírito. Como resultado, no período imediato do pós-guerra, o Japão possuía 500 mil novos viciados. Pouco mais tarde, no início da década de 50, militares americanos servindo no Japão e na Coréia se transformaram nos primeiros a utilizar o speedball, uma mistura injetável de anfetamina e heroína. Outra epidemia anfetamínica aconteceu na Suécia em 1965, depois que a droga passou a ser fornecida pelo serviço nacional de saúde. Milhares de pessoas se aproveitaram do fato de a anfetamina ser distribuída gratuitamente para consumir quantidades abusivas da sua substância, até que ela foi tornada ilegal algum tempo depois. Nas últimas décadas, a anfetamina tem sido usada em massa em tratamentos para emagrecer, já que a droga é temporariamente eficaz na supressão do apetite. Entretanto, à medida que o tempo passa, o organismo desenvolve tolerância à anfetamina e torna-se necessário aumentar cada vez mais as doses para se conseguir os mesmos efeitos. A perda de apetite gerada pelo seu uso constante pode transformar-se em anorexia, um estado no qual a pessoa passa a sentir dificuldade para comer e até mesmo para engolir alimentos pastosos, resultando em sérias perda de peso, desnutrição e até morte. Durante muito tempo, a anfetamina foi também utilizada para tratar depressão, epilepsia, mal de Parkinson e narcolepsia. Atualmente, apenas a narcolepsia permanece utilizando essa droga em seu tratamento. As anfetaminas agem estimulando o sistema nervoso central através de uma intensificação da norepinefrina, um neuro-hormônio que ativa partes do sistema nervoso simpático. Efeitos semelhantes aos produzidos pela adrenalina no cérebro são causados pelas anfetaminas, levando o coração e os sistemas orgânicos a funcionarem em alta velocidade. Resultado: o batimento cardíaco é acelerado e a pressão sangüínea sobe bastante. Ao agir sobre os centros de controle do hipotálamo, ao mesmo tempo em que reduz a atividade gastrintestinal, a droga inibe o apetite e seu efeito pode durar de quatro a 14 horas, dependendo da dosagem. A anfetamina é rapidamente assimilada pela corrente sangüínea e, logo depois de ser ingerida, provoca arrepios seguidos de sentimentos de confiança e presunção. As pupilas dilatam, a respiração torna-se ofegante, o coração bate freneticamente e a fala fica atropelada. Em seguida, o usuário da droga pode entrar em estado de euforia e elevação, enquanto seu corpo se agita com uma intensa liberação de energia. Quando essa energia se extingue, o efeito começa a declinar, sendo substituído por inquietação, nervosismo e agitação, passando à fadiga, paranóia e depressão. Esgotadas as sensações da droga, o abuso leva geralmente a dores de cabeça, palpitações, dispersividade e confusão. Como o efeito é pouco duradouro e termina em depressão, o usuário é levado a tomar doses sucessivas, que vão aumentando na quantidade de anfetamina ingerida à medida que o organismo vai se habituando à droga. O ciclo de abuso e dependência pode criar uma reação tóxica no organismo, conhecida como psicose anfetamínica, que pode durar até algumas semanas, com irritabilidade, insônia, alucinações e até a morte em casos extremos. Os sonhos de quem abusa de anfetaminas são perturbados e interrompidos, e seu sono é pouco reparador. Overdoses fatais, todavia, são raras, e a dosagem letal ainda é desconhecida, sendo que os usuários mais habituais podem consumir até 1000 miligramas por dia. Ao contrário do que os médicos pensavam quando se começou a utilizar a anfetamina, a droga não causa dependência física, mas psicológica, podendo chegar a tal ponto em que o abandono de seu uso torna-se praticamente impossível. As anfetaminas são as drogas geralmente associadas com os casos de doping em corridas de cavalos, jogos de futebol e outras competições esportivas.
O primeiro barbitúrico lançado no mercado foi o Veronal, em 1903, embora os barbituratos já tivessem sido sintetizados na Bélgica em 1684. De 1912 aos nossos dias, mais de 2500 derivados do ácido barbitúrico foram desenvolvidos. Inicialmente, acreditava-se que essa droga representava a cura para a insônia e a ansiedade, transformando-se, assim, no sedativo-hipnótico ideal. Na década de 30, começaram a acumular-se evidências de que os barbitúricos produziam sérios efeitos colaterais, principalmente quando misturados ao álcool. Os alertas das autoridades de saúde, entretanto, tiveram resultado oposto ao esperado - a droga popularizou-se nos anos 40 justamente por provocar exaltação quando ingerida com bebidas alcoólicas. Nos anos 70, muitos ainda encaravam os barbitúricos como remédio inofensivo. Hoje, sabe-se que, quando usados corretamente, sob supervisão médica, os barbitúricos são eficazes em alguns casos, mas os perigos representados por seu abuso são inegáveis. Existem três categorias de barbitúricos:
Drogas de longa ação (de oito a 16 horas): são usadas no tratamento de epilepsia, no controle de úlceras pépticas e pressão sangüínea alta. Estão nesse grupo o Veronal (barbital), Luminal (phenobarbital), Mebaral (nefobarbital), e Gemonil (metabarbital).
Drogas de ação média (quatro a seis horas): são usadas como pílulas para dormir, e são os barbitúricos mais comumente abusados: Alurate (aprobarbital), Amytal (amobarbital), Butisol Sodium (butabarbital), Nembutal (pentobarbital), Seconal (seccobarbital) e Tuinal (amobarbital e secobarbital).
Drogas de curta ação (imediata mas breve): são usados como anestésico ou sedativo junto com inalantes, e incluem Penthotal Sodium (thiopental), Brevital (sodium methohexital) e Surital (sodium thiamylal).
Os barbitúricos agem sobre o sistema nervoso central deprimindo ou inibindo os sinais nervosos no cérebro, alterando o equilíbrio químico e reduzindo as funções de alguns sistemas orgânicos. A ação neurológica é diminuída, assim como o batimento cardíaco, a pressão sangüínea e a respiração. Simultaneamente, ocorre um relaxamento geral dos músculos que estão juntos do esqueleto. Os efeitos da droga aumentam de acordo com a dosagem, ao mesmo tempo em que as funções do corpo são desaceleradas, produzindo, como conseqüência, desde o alívio da ansiedade até a sedação, hipnose, anestesia, coma e morte. Ao ser ingerida, a droga penetra na corrente sangüínea e é distribuída por todo o corpo, acumulando-se principalmente nos tecidos dos órgãos e nos depósitos de gordura. Os barbituratos são por fim metabolizados e eliminados através do fígado e dos rins. De acordo com os pesquisadores norte-americanos, os barbitúricos afetam pessoas diferentes de formas diferentes, podendo ainda provocar, numa mesma pessoa, uma variedade de efeitos diversos. Afirma um relatório publicado nos Estados Unidos em 1977: " A curto prazo, os efeitos dos barbitúricos se assemelham aos do álcool. Ansiedades e tensões dissolvem-se num calmo e pacífico relaxamento. Preocupações desaparecem numa intoxicação nebulosa, na qual nada realmente importa. O usuário cambaleia vacilante por uma realidade alterada, com a fala pastosa e sentindo seus músculos como se fossem feitos de borracha. Seus reflexos reduzem-se e seu tempo de reação a estímulos é extremamente longo. A longo prazo, o uso regular de barbituratos pode levar a sintomas crônicos: sonolência contínua, memória falha, dificuldade para concentrar a atenção, perda da coordenação motora, instabilidade emocional, náusea, ansiedade, nervosismo, movimentos involuntários dos olhos, fala enrolada e mãos trêmulas. Reações paranóicas e aumento da hostilidade podem induzir a atos de violência."
Com o uso repetido por um certo período de tempo, o organismo adquire tolerância à droga, e maiores quantidades passam a ser necessárias para produzir os mesmos efeitos, resultando na dependência física e psicológica. A dose letal, entretanto, permanece a mesma, e pode acabar sendo atingida pelos usuários que precisam ir sempre aumentando a dosagem. Para a maioria das pessoas, a dose letal é calculada como sendo dez vezes maior do que a dose prescrita. Normalmente, a dosagem terapêutica, entre 100 e 200 miligramas ao dia, não produz dependência se usada por um breve período de tempo. Quando ingerida habitualmente, por dois meses, em dosagens superiores a 600 miligramas ao dia (ou 800 miligramas ao dia por um mês), a droga passa a causar tolerância. Ao contrário dos opiáceos, entretanto, a tolerância desenvolve-se gradualmente, e pode desaparecer depois de uma ou duas semanas de abstinência da droga. Caso dosagens elevadas sejam ingeridas por três meses ou mais, o usuário tornar-se-á um dependente, experimentando sintomas de privação se o uso do barbitúrico for suspenso. A síndrome de privação, no caso de usuários crônicos, pode durar até duas semanas, uma eternidade para a vítima, que sofre sintomas cada vez mais violentos à medida que passa o tempo sem a droga. Entre os sintomas estão a perda de apetite, ansiedade, insônia, transpiração, agitação, náusea, hiperatividade, tremores, cãimbras, aceleração cardíaca, alucinações, delírios, paranóia, febre, convulsões e reações semelhantes à epilepsia. Em casos extremos ocorrem delirium tremens, tal como nas crises alcoólicas, resultando em estados psicóticos, exaustão, colapso cardiovascular, falha dos rins e, finalmente, morte. Quando misturados a outras substâncias, os perigos dos barbituratos são multiplicados. A combinação álcool-barbitúrico é considerada especificamente mortífera, já que as bebidas potencializam os efeitos dos barbitúricos, reduzidos a quantidade necessária para se chegar à dose letal. A mistura de barbitúricos com anfetamina, por exemplo, é considerada uma das formas mais perigosas de abusos de drogas. Combinadas, essas duas substâncias geram um grau de euforia muito maior do que quando tomadas separadamente. Os viciados em anfetaminas costumam utilizar barbitúricos para conseguir relaxar depois de dias e noites movidos por anfetamina. Ao contrário das anfetaminas, os barbituratos têm diversas aplicações na medicina: como hipnótico (induz ao sono), sedativo, anticonvulsivo, analgésico e como medicamento para o tratamento de alcoolismo. Contudo, os barbituratos não aliviam dores severas, podendo até causar um efeito contrário, a hiperaugesia, ou aumento da reação à dor. Depois de algumas semanas, os barbituratos perdem seu poder hipnótico para a maior parte dos pacientes, deixando de funcionar como pílulas para dormir. Eles também podem perturbar o período do sono em que acontecem os sonhos, o que provavelmente tem conseqüências psicológicas. Mulheres grávidas devem decididamente evitar o uso de barbitúricos.
Sintetizada em 1859, a cocaína tem como origem a planta Erythroxylon coca, um arbusto nativo da Bolívia e do Peru (mas também cultivado em Java e Sri-Lanka), em cuja composição química se encontram os alcalóides Cocaína, Anamil e Truxillina (ou Cocamina ). Duas variedades da planta dominam o mercado: a huanaco, coca boliviana de folhas ovais e coloração marrom-esverdeada, e a coca peruana, de folhas bem menores e cor verde-clara, que contém muito mais alcalóide do que as plantas que medram na Bolívia. A coca aclimatada em Java, além dos alcalóides comuns às outras variedades possui a atropa cocaína acrescida de quatro glucosídeos cristalinos. A droga também pode ser obtida de um arbusto aparentado à Erythroxylon coca - o epadu, que cresce na Amazônia e é utilizado há séculos pelos índios da região. Na civilização inca, o uso da folha de coca era controlado pessoalmente pelo imperador. O maior privilégio que um inca podia obter era conquistar o direito de mascar as folhas de coca, e os nobres costumavam ser sepultados com uma generosa provisão de folhas para abastecê-los no paraíso incaico. Mascadas, as folhas de coca produzem euforia e enorme capacidade de trabalho. Nos altiplanos da Cordilheira dos Andes, o costume de mascar coca persiste até hoje entre os habitantes, ajudando-os a enfrentar os problemas da altitude e os rigores do clima. A cocaína propriamente dita, ou cocaína hidroclorida, é uma substância branca, amarga e inodora, na forma de cristais ou pó, e que pode ser bebida, aspirada ou injetada. Apesar do curto período de sua existência, a história registra usuários famosos da droga, como Sigmund Freud, o papa Leão XIII e o escritor Conan Doyle, criador do famoso detetive Sherlock Holmes, que por sua vez também apreciava a cocaína. Na atualidade, a droga tem seu uso difundido não só entre os astros do cinema, da música e da televisão, mas também vem ganhando consumidores entre executivos e a classe média em geral. Segundo a revista Veja, no Brasil os usuários típicos têm entre 25 e 40 anos de idade, salário acima de Cz$ 15.000 (maio-86) e podem ser publicitários, jornalistas, criadores de moda ou profissionais da área financeira, que exibem comportamento auto-suficiente e elegantemente agressivo. De acordo com a revista Time, de 1979 a 1982, o número de consumidores de cocaína nos Estados Unidos aumentou de 15 milhões para 22 milhões, e parece continuar crescendo. As propriedades primárias da droga bloqueiam a condução de impulsos nas fibras nervosas, quando aplicada externamente, produzindo uma sensação de amortecimento e enregelamento. A droga também é vaso constritora, isto é, contrai os vasos sangüíneos inibindo hemorragias, além de funcionar como anestésico local, sendo este um dos seus usos na medicina. Ingerida ou aspirada, a cocaína age sobre o sistema nervoso periférico, inibindo a reabsorção, pelos nervos, da norepinefrina (uma substância orgânica semelhante à adrenalina). Assim, ela potencializa os efeitos da estimulação dos nervos. A cocaína é também um estimulante do sistema nervoso central, agindo sobre ele com efeito similar ao das anfetaminas. No cérebro, a droga afeta especialmente as áreas motoras, produzindo agitação intensa. A ação da cocaína no corpo é poderosa porém breve, durando cerca de meia hora, já que a droga é rapidamente metabolizada pelo organismo. Sua aspiração por período prolongado danifica as mucosas e os tecidos nasais, podendo inclusive causar perfuração do septo. Doses elevadas consumidas regularmente causam sangramento do nariz e corisa persistente, além de palidez, suor frio, convulsões, desmaios e parada respiratória. A quantidade necessária para provocar uma overdose varia de uma pessoa para outra, e a dose fatal vai de 0,2 a 1,5 grama de cocaína pura. A possibilidade de overdose, entretanto, é maior quando a droga é injetada diretamente na corrente sangüínea. O efeito da cocaína pode levar a um aumento de excitabilidade, ansiedade, elevação da pressão sangüínea, náusea e até mesmo alucinações. Um relatório norte-americano afirma que uma característica peculiar da psicose paranóica, resultante do abuso de cocaína, é um tipo de alucinação na qual formigas, insetos ou cobras parecem estar caminhando sobre ou sob a pele do cocainômano. Embora exista controvérsia, alguns afirmam que os únicos perigos médicos do uso da cocaína são as reações alérgicas fatais e a habilidade da droga em produzir forte dependência psicológica, mas não física. Por ser uma substância de efeito rápido e intenso, a cocaína estimula o usuário a utilizá-la seguidamente para fugir da profunda depressão que se segue após o seu efeito. A Coca-Cola, um dos refrigerantes mais populares, foi originalmente uma beberagem feita com folhas de coca e vendida como um "extraordinário agente terapêutico para todos os males, desde a melancolia até a insônia". Complicações legais, todavia, fizeram com que a partir de 1906 o refrigerante passasse a utilizar em sua fórmula folhas de coca descocainadas.
“A cocaína pode exercer uma variedade de efeitos no cérebro". Os maiores efeitos agudos resultam de níveis aumentados de substâncias naturais circulantes no sangue, chamadas catecolaminas. Recentemente, cientistas investigaram os efeitos euforizantes da cocaína através de estudos de imagens cerebrais utilizando a tomografia PET (Positron Emission Tomography), um sofisticado método que permite visualizar a função dos neurônios através do seu metabolismo, usando substâncias radioativas. O trabalho foi publicado na revista Nature. Eles descobriram que a cocaína ocupa ou bloqueia os "sítios transportadores de dopamina" nas células cerebrais. A dopamina é uma substância sintetizada pelas células nervosas que age em certas regiões do cérebro promovendo, entre outros efeitos, a motivação. Os "sítios transportadores de dopamina" levam a dopamina de volta para dentro de certos neurônios, após ela ter dado uma "passeada" pelo cérebro promovendo seus efeitos. Ora, se a cocaina ocupar o mecanismo de transporte da dopamina, esta substância fica "solta" no cérebro até que a cocaína saia, e é justamente a presença anormalmente longa dela no cérebro é que causa os efeitos eufóricos associados com o uso da cocaína. Clique aqui para ver as imagens do PET, comparando um paciente não-adito, como dois aditos à cocaína. Tanto a dopamina como outras substâncias aumentadas no cérebro podem produzir vasoconstrição e causar lesões. Estas lesões podem incluir hemorragias agudas e infarto no cérebro (zona de morte celular, causada por falta de oxigênio), bem como necrose do miocárdio, podendo levar à morte súbita. Grávidas que usam cocaína podem afetar seus fetos, levando-os ao nascimento com baixo peso ou risco de rompimento da placenta e até lesões irreversíveis do cérebro, causando deficiências mentais e físicas. Em muitos países, os "bebês da cocaína" são um sério problema de saúde pública, que está se agravando com a ampla disponibilidade do "crack". Outro estudo de PET, feito por cientistas da Johns Hopkins University e o National Institute on Drug Abuse (NIDA) nos EUA, descobriu que o vício pela cocaína está diretamente correlacionado a um aumento no cérebro dos receptores para substâncias opióides, como as endorfinas, que são naturais, e drogas de abuso, como a heroína e o ópio. Quanto maior a intensidade do vício, maior esse número de receptores. Quando os viciados em cocaína que foram testados na pesquisa ficavam um mês longe da droga, em alguns deles o número de receptores voltava ao normal, mas em outros continuava alto. Pode haver uma correlação entre esse fato e a susceptibilidade do drogadito voltar ao vício ou não.”
Referências 1. Nature, April 24, 1997 2. Nature Medicine, vol. 2, no. 11, November 1996. Os Autores Silvia Helena Cardoso e Renato M.E. Sabbatini são doutorados na área de neurociências pela Universidade de São Paulo, e pesquisadores do Núcleo de Informática Biomédica da Universidade Estadual de Campinas. Editam também a revista on-line de divulgação científica, Cérebro & Mente.
Cogumelos
Cogumelos ou fungos são plantas que não contém clorofila, a substância verde que faz com que os vegetais superiores possam processar a luz solar para produzir nutrientes (açúcares). A ausência de clorofila impede os cogumelos de se alimentarem utilizando energia solar, o que impele a espécie a desenvolver outros métodos de vida, atuando como parasitas em outros animais e plantas ou habitando matéria em decomposição. Os fungos também agem quimicamente no ar, de forma diferente das plantas clorofiladas - eles absorvem o oxigênio e exalam ácido carbônico, agindo nesse ponto da mesma forma que os animais, aos quais se assemelham em composição química. Fungos alucinógenos têm desempenhado papel importante em várias cerimônias religiosas. Os maias que habitavam a Guatemala há 3500 anos utilizavam um fungo conhecido na língua nahuátl como "teonanácatl", a "carne de deus". Esse cogumelo provavelmente pertence ao gênero Psilocybe, embora também possa ser relacionada a duas outras variedades: Conocybe ou Stropharia. O primeiro registro histórico do consumo de cogumelo Psilocybe data de 1502, durante a coroação do Imperador Montezuma. Despreparados e assustados pelos efeitos da droga, os conquistadores espanhóis tomaram a decisão de proibir a religião nativa e o uso de fungos alucinógenos. Albert Hofmann, o químico suiço descobridor do LSD, foi o primeiro a extrair psilocibina e psilocina dos cogumelos mágicos das espécies Psilocybe mexicana e Psilocybe cubensis. A psilocibina é uma substância relativamente instável, sendo convertida pelo organismo humano em psilocina, a verdadeira responsável pelos efeitos alucinógenos da planta. A psilocibina assemelha-se quimicamente ao LSD e é conhecida cientificamente como orthophosphoryl-4-hydroxy-n-dimethyltryptamine . Os cogumelos secos têm ação mais forte que os cogumelos frescos. Alguns pesquisadores acreditam que a psilocibina abre uma porta para o subconsciente, permitindo que o mundo consciente seja encarado de uma perspectiva diferente. A substância é classificada como alucinógena, embora seus efeitos sejam provavelmente mais ilusórios do que alucinatórios. Experiências em laboratório revelaram que a ação da psilocibina é determinada pelas condições emocionais e psicológicas do usuário, e também pelo ambiente em que se desenrola a experiência. As reações iniciais são basicamente físicas: náuseas, dilatação das pupilas, aumento do pulso, da pressão sangüínea e da temperatura. Ansiedades e vertigens também podem ocorrer, sintomas esses que desaparecem uma hora depois de ingerido o cogumelo. Começa então um período de percepção sensorial ampliada: as cores se destacam, detalhes minúsculos dos objetos são revelados e estruturas coloridas cruzam o campo de visão. O efeito pode degenerar em desorientação, reações paranóicas, inabilidade para distinguir entre fantasia e realidade, pânico e depressão. Ainda no continente americano, um outro gênero de cogumelo alucinógeno tem sido utilizado - o Stropharia cubensis -, que nasce sobre o estrume de boi. O autor brasileiro Sangirardi Jr. diz que essa espécie de fungo tem sido empregada na América Central desde muito antes dos espanhóis que trouxeram o gado bovino. Para Sangirardi, os cogumelos Stropharia cubensis poderiam proliferar no estrume do búfalo americano e do gamo, animais considerados sagrados pelos maias. A ingestão desse fungo é seguida inicialmente por náuseas, substituídas logo depois de uma hora pelo aumento da sensibilidade visual e auditiva; a percepção de formas é alterada e distorções visuais podem ser comuns. O corpo relaxa e sobrevem uma ligeira perda de coordenação motora. O efeito dura cerca de quatro horas e o usuário está sujeito a momentos de ansiedade e até mesmo pânico. Outro cogumelo alucinógeno famoso é o Amanita muscaria, considerado por alguns estudiosos como sendo o cogumelo citado por Lewis Carroll no livro Alice no Pais das Maravilhas. O Amanita muscaria tem sido empregado há mais de 6000 anos, apesar do risco de ser confundido com variedades semelhantes de efeito letal. Acidentes com Amanita são responsáveis por 90% dos casos fatais de envenenamento por fungos. É uma droga extremamente perigosa, por isso seu uso implica graves riscos. A Amanita muscaria contém diversas substâncias alucinógenas como muscazon, ácido ibotênico, muscimelk e bufotenina. Como esses elementos permanecem intactos em sua passagem pelo organismo, povos primitivos da Sibéria costumavam armazenar a urina de usuários de Amanita, que era assim utilizada como droga alucinógena. Os efeitos começam entre quinze e vinte minutos após o fungo ser ingerido, e duram por seis a oito horas. As sensações iniciais incluem vertigens, confusão, secura da boca, respiração acelerada, náusea, vômito e diarréia. Depois disso, o usuário é induzido a um sono leve de cerca de duas horas, experimentando visões e sensações semelhantes a sonhos. Sintomas de paranóia e agressividade exagerada também são registrados, e o usuário está sujeito a quedas e acidentes causados pelas distorções sensoriais. O uso prolongado da droga pode levar à debilidade mental e à loucura. Doses excessivas resultam em delírios, convulsões, coma profundo e morte em conseqüência de parada cardíaca.
CRACK
DEFINIÇÃO : É feito, lavando-se os sais de cocaína, deixando pedras conhecidas como "freebase", sendo a mais perigosa forma de coca. Tendo em vista que é pouco solúvel em água, seu uso é feito através da volatização, quando aquecida, sendo portanto fumada em cachimbos. HISTÓRICO : Muitíssimo antes da descoberta do crack, nos Estados Unidos os índios das montanhas de Santa Marta fumavam folhas de coca moída com pedra calcárea. Em 1983, nas Bahamas, se iniciaram-se os estudos psiquiátricos sobre as alterações comportamentais dos usuários de crack. Em 1983, um policial nova-iorquino ouviu pela primeira vez a palavra que lembra o estado da cocaína durante a fritura-"crack". Em 1986, ela saiu no The New York Times e acendeu-se a pedrinha da percepção social. Chegara ao mercado uma das drogas mais violentas. Em 1988, foi introduzido no Brasil. Em 1994, ganha espaço entre as drogas mais consumidas.
Uma vez no SNC (Sistema Nervoso Central) age diretamente nos neurônios. São eles que, diante de uma mensagem elétrica, liberam os neurotransmissores químicos que atravessam os hiatos, ou sinapses entre os nervos, mandando a mensagem para a frente. O crack bloqueia a recaptura do neurotransmissor dopamina (do efeito estimulante). Essa substância fica mais tempo na região de comunicação entre dois neurônios e estimula o outro neurônio da rede. Resultado: hiperestimulação da atividade motora, sensação de bem-estar, euforia. -Aumenta a pressão arterial e a freqüência dos batimentos cardíacos, risco de enfarte e derrame cerebral. Em overdoses os efeitos podem se prolongar levando ao coma. Nesses casos, há possibilidades de lesão dos neurônios. O crack é metabolizado no fígado. Os produtos da metabolização são eliminados pelos rins através da urina.
OBSERVAÇÕES GERAIS A cocaína na forma de crack chega ao cérebro em apenas 15 segundos. O ápice de ação é alcançado em 30 segundos. São de 5 minutos, em média, os efeitos de onipotência, euforia e sensação de bem-estar. Logo vem a queda, os efeitos vão embora e a tendência é uma depressão, fadiga, mal-estar. O contrário do ápice. O mais comum é ficar horas seguidas em busca de novos ápices. (pitando até a exaustão.) São surpreendentes e imensuráveis os danos físicos, mentais e sociais ocasionados pelo crack. É muito nocivo pois chega ao cérebro concentrado e rapidamente. Cria dependência gravíssima em menos de três meses de uso.
"O crack desaponta a noção de prazer que se espera de uma droga. Ele é um estado puro da necessidade de ficar drogado, só tem a ver com a necessidade de fumá-lo". (Avital Ronnel em “A guerra do Crack”)
A planta Banisteriopsis caapi é uma trepadeira que cresce na Amazônia e produz uma droga conhecida por vários nomes: para os índios brasileiros e colombianos ela é a caapi, enquanto no Peru, Bolívia e Equador ela é chamada de ayahuasca. Nos Andes ela tem o nome de yagé, e é obtida através da fervura das cascas recém-tiradas da trepadeira caapi. De acordo com a região, outras plantas psicoativas podem ser misturadas ao preparo de caapi, como a datura, rica em alcalóides da beladona, e a Banisteriopsis rusbyana, que contém DMT (n,n dimethyltryptamine, um poderoso alucinógeno). Depois de fervido durante horas, o equivalente a um copo de beberagem contém cerca de 400 miligramas de alcalóides, o que, segundo pesquisadores norte-americanos, é quatro vezes superior à dose necessária a uma pessoa não habituada ao uso frequente da droga. Grandes quantidades de yagé podem causar morte por envenenamento. O princípio ativo do caapi, conhecido como harmina, pode ser extraído e transformado em cloreto de harmina, droga aspirada ou mascada para produzir os mesmos efeitos da beberagem. Imediatamente após a ingestão de yagé, o usuário vomita; em seguida, começam os efeitos propriamente ditos: embriaguez acompanhada por alucinações e espoucar de luzes coloridas. Também pode ocorrer insônia, perda de coordenação e vertigens. À medida que os efeitos se intensificam, as alucinações entram num grau mais avançado e o usuário pode experimentar um aumento de visão noturna e um desenvolvimento da energia psíquica, assim como uma estimulação dos sentidos sexuais. Um estudo realizado nos Estados Unidos afirma que "yagé em demasia pode transformar a mente num pesadelo de visões, acompanhadas por sentimentos perturbadores". A harmina produz efeitos e sensações semelhantes aos da mescalina, acrescidos de embriaguez. Afirma-se que a droga aumenta a percepção extrasensorial, fazendo com que o usuário adquira a capacidade de prever eventos futuros. Durante muito tempo o alcalóide harmina foi conhecido pelo nome de telepatia, isso por induzir fenômenos telepáticos. Alguns relatos asseguram que o yagé pode funcionar como estimulante sexual, além de poderoso alucinógeno. A droga produz, segundo um testemunho, "brilhantes falses de luz na mente, ilusões de objetos ficando maiores e menores, vívidas alucinações e uma excepcional habilidade para enxergar na escuridão". No Brasil, o consumo de yagé é legalmente permitido aos adeptos de várias seitas religiosas da Amazônia, como a União do Vegetal e o Santo Daime, que têm essa droga como elemento vital de seus cultos. Estas seitas fazem uma mistura sincrética de espiritismo, catolicismo, pajelança, ritos africanos e emprego do ayahuasca, que há séculos é utilizado nas cerimônias mágicas e religiosas dos índios da região amazônica.
CIGARRO E DERIVADOS DO TABACO
DEFINIÇÃO O tabaco é uma planta da família das solanáceas. Existem algumas espécies de tabaco que são apenas ornamentais. O vegetal recebeu o nome de NICOTIANA TABACUM em homenagem a Jean Nicot, embaixador françês em Portugal, por volta de 1580.
HISTÓRICO Nicot acreditava que a planta tinha poderes medicinais e estimulou seu cultivo. É uma planta de mais de 2 metros de altura; suas folhas chegam a medir 70 centímetros; as folhas amareladas, vermelhas ou brancas agrupam-se formando cachos. Atualmente, o tabaco é cultivado em quase todos os países, embora os maiores produtores sejam Cuba, Brasil, Java, Estados Unidos, Turquia e alguns países asiáticos. A planta é originária da Ilha de Tobago. Os primeiros a usarem o fumo foram os índos americanos no ano 400dc. Quando Colombo chegou a América, o uso do Tabaco estava firmemente estabelecido entre estabelecido entre os índios. Os primeiros exploradores ficaram pasmos ao descobrir índios colocando na boca pequenos rolos acesos de folhas secas. Alguns índios usavam cachimbos para queimar as mesmas folhas, de forma que o tabaco era essencial para muitos rituais sociais e religiosos. Era um hábito difícil de ser abandonado. No século XVI, o tabaco, através dos navios britânicos que levavam índios americanos e seus suprimentos, foi introduzido na inglaterra. A tripulação de Fernão de Magalhães, navegador português, fumou tabaco e espalhou suas sementes nas Filipinas e em outros portos de apoio. Os holandeses trouxeram tabaco para a África do Sul.Os portugueses levaram tabaco para a Polinésia. No final do século XVI, sob o reinado de Jaime I. foi proibido o uso do tabaco, que foi tachado de insalubre e imoral. Tentativas de restringir a distribuição apenas elevaram o preço do tabaco, fazendo com que seu peso valesse em prata. Na Turquia, Murad, por volta de 1623 até 1640, furava o nariz dos fumantes com um cano de cachimbo. Os usuários que repetiam eram condenados à morte. O czar Michek Romanov exilava os fumantes para a Sibéria. Nenhum governante foi capaz de impelir a penetração do tabaco na sua sociedade. Hoje o cigarro e derivados do tabaco estão sob a mira das sociedades, muito embora a cada ano as indústrias que exploram o tabaco aumentem seus faturamentos a custas de propagandas milionárias onde grupos sociais cada vez mais jovens são explorados comercialmente seguindo requintes de psicologia social para aumentar as vendas, como patrocínio de eventos esportivos e Shows de Rock.
A heroína é descendente direta da morfina, e ambas são tão relacionadas que a heroína, ao penetrar na corrente sangüínea e ser processada pelo fígado, é transformada em morfina. A droga tem sua origem na papoula, planta da qual é extraído o ópio. Processado, o ópio produz a morfina, que em seguida é transformada em heroína. A papoula empregada na produção da droga é cultivada principalmente no México, Turquia, China, Índia e também nos países do chamado Triângulo Dourado (Birmânia, Laos e Tailândia). A morfina é um alcalóide natural do ópio, que deprime o sistema nervoso central, e foi a primeira droga opiácea a ser produzida em 1803. Como poderoso analgésico, suas propriedades foram amplamente empregadas para tratar de feridos durante a Guerra Civil Americana, em meados do século passado. No final do conflito, 45 mil veteranos encontravam-se viciados em morfina, o que despertou na comunidade médica a certeza de que a droga era perigosa e altamente causadora de dependência. Mesmo assim, nos Estados Unidos, a morfina continuou sendo usada para tratar tosse, diarréia, cólicas menstruais e dores de dente, sendo vendida não só em farmácias, mas também em docerias e até por reembolso postal. Em conseqüência, o número de viciados começou a crescer, e os riscos representados pela droga eram cada vez mais evidentes, o que fez com que os cientistas passassem a procurar um substituto seguro para a morfina. Em 1898, nos laboratórios da Bayer, na Alemanha, surgiu o que se acreditou na época ser o substituto ideal: a diacetilmorfina, uma substância três vezes mais potente que a morfina. Devido a essa potência, considerada "heróica", a Bayer decidiu batizar oficialmente a nova substância com o nome de heroína. A heroína foi aplicada em viciados em morfina, e os cientistas comprovaram que a droga aliviava os sintomas de abstinência dos morfinômanos. Durante doze anos acreditou-se que a heroína poderia substituir, segura e eficazmente, a morfina. Além das doenças anteriormente "tratadas" pela morfina, a heroína também foi usada como remédio para a cura do alcoolismo. Por ironia, ficou provado que a heroína é ainda mais viciante do que a morfina, podendo criar dependência em apenas algumas semanas de uso. Em 1912, os Estados Unidos assinaram um tratado internacional visando acabar com o comércio de ópio no mundo inteiro. Por causa disso, dois anos mais tarde, o Congresso norte-americano aprovou uma lei que restringiu o uso de opiáceos, e, na mesma década, criou mecanismos judiciais que tornavam a heroína ilegal. Isso levou a uma situação peculiar: antes de 1914, muitas pessoas se haviam tornado viciadas em heroína consumindo a droga como remédio; a partir desse ano os dependentes eram transformados em marginais que precisavam recorrer ao mercado negro para obter a droga e evitar os dolorosos sintomas da síndrome de abstinência. Ao ser consumida (geralmente por injeção intravenosa), a heroína pode causar inicialmente náusea e acessos de vômito, mas à medida que o organismo se adapta aos efeitos da droga o usuário passa a sentir-se num estado de excitação e euforia, às vezes semelhante ao prazer sexual. Simultaneamente a droga induz sensações de paz, alívio e satisfação, que se desvanecem algum tempo depois. Como o efeito é relativamente breve (mais ou menos 60 minutos), o usuário é impelido a consumir nova dose de droga. Dentro de algum tempo de uso constante, ele sentirá necessidade de quantidades cada vez maiores de heroína, não para sentir prazer, mas simplesmente para evitar os terríveis sintomas da abstinência. O viciado em heroína torna-se apático, letárgico e obcecado pela droga, perdendo todo interesse pelo mundo que o cerca. Ficar sem a droga significa um verdadeiro inferno para ele, que passa a sentir dores atrozes, febres, delírios, suores frios, náusea, diarréia, tremores, depressão, perda de apetite, fraqueza, crises de choro, vertigens, etc. Apesar de tudo isso, algumas teorias recentes sustentam que ninguém morre de overdose de heroína, já que testes em animais mostraram que não existe uma dose letal da droga. Afirma-se que uma dose de heroína pode ser mortal para um viciado em certas ocasiões, mas em outras não. Essas teorias consideram que, nesses casos, não é a heroína a causa da morte, mas sim um efeito semelhante ao choque causado pela injeção de misturas de heroína com outras substâncias utilizadas para adulterar a droga vendida ilegalmente. Como se não bastassem os perigos da heroína, ela ainda é consumida em coquetéis conhecidos como speedballs, onde a droga é misturada com anfetaminas ou cocaína. Esta última mistura foi responsável pela morte do cantor e comediante John Belushi, em 1982. Da mesma forma que a heroína foi descoberta como remédio para a morfina, outras substâncias vêm sendo pesquisadas para resolver o problema do vício em heroína. Uma delas é a metadona, uma mistura química sintética que alivia os sintomas de abstinência de heroína. Sintetizada pelos alemães durante a Segunda Guerra Mundial, a metadona é um opiáceo produzido em laboratório, pouco mais potente que a morfina. Ela é quase tão eficaz quando aplicada por via intravenosa. Doses adequadas de metadona podem durar até 24 horas, e por isso a droga vem sendo empregada, nos Estados Unidos, para tratar viciados em heroína. Seu uso é totalmente restrito a clínicas e hospitais que aplicam a metadona em pacientes dependentes de heroína, que precisam da droga para escapar dos sintomas da síndrome de abstinência. Entretanto, o viciado que não receber a sua dose também está sujeito a sofrer diarréia, suores, insônia, e dores de estômago, provocados pela falta da substância. Ela também é considerada altamente viciante, mas não produz a euforia gerada pela heroína. A metadona não causa tolerância e, a medida que o tratamento vai evoluindo, o usuário pode reduzir paulatinamente as doses até livrar-se do vício.
A categoria das drogas inalantes abrange diversas substâncias, sendo três as principais: tolueno, éter e clorofórmio. O tolueno é o ingrediente ativo da cola de sapateiro, cola de aeromodelismo, fluido de isqueiro, tinta, gasolina, desodorante, spray para cabelo, limpador de móveis e vidro, esmalte de unhas, etc. A inalação dos vapores liberados por esse produtos provoca efeitos similares aos do álcool, assim como alucinações em casos de doses exageradas. Os sintomas incluem euforia, inquietação, confusão, desorientação, excitação e perda de coordenação motora. Inalações repetidas podem causar vertigens, vacilação, alterações na percepção de cores, distorção do sentido de tempo e espaço e sensação de onipotência ou de grande poder. A overdose é caracterizada por náuseas, vômitos, fadiga, fraqueza muscular, dores estomacais, tremores, sentimentos de medo, solidão e culpa, paralisia dos nervos cranianos e periféricos, delírio, perda de consciência e até coma. A ação do tolueno é devida à sua capacidade de deprimir o sistema nervoso central. Relatórios médicos divulgados na década de 60 afirmam que a droga causa danos permanentes no cérebro, podendo inclusive matar o usuário, além de corroer as membranas nasais, destruir o tutano dos ossos e danificar os rins. O tolueno ainda pode induzir impulsos violentos, lesões no fígado e nos órgãos respiratórios, e cegueira. O tolueno pode gerar tolerância se for usado com frequência semanal durante um período de cerca de três meses, a partir dos quais o usuário precisará de doses sempre maiores para obter o mesmo efeito. Não se sabe se o tolueno causa depêndencia física, mas acredita-se que os usuários que inalam a substância com muita frequência estão sujeitos à dependência psicológica. Seus efeitos negativos podem ser revertidos com a suspensão do consumo da droga. O éter, conhecido cientificamente como éter dietil, foi descoberto no século 13, e é produzido através da desidratação do álcool etílico pelo ácido sulfúrico. Por volta de 1700, os universitários europeus passaram a consumir éter recreativamente, em substituição às bebidas alcoólicas. Na Inglaterra, o uso de éter como inebriante foi muito popular até o final do século 19, quando a droga passou a ser proibida. Apesar de fora da lei, o éter continuou popular entre os ingleses até seu uso começar a declinar, por volta de 1920, quando o álcool tornou-se mais barato e mais fácil de se comprar do que o éter. Já nos Estados Unidos, o uso recreativo do éter teve um breve surto de popularidade entre os anos de 1920 e 1933, quando o álcool esteve proibido pela Lei Seca. Na época, as bebidas não-alcoólicas eram misturadas com éter para provocar intoxicação. Mais tarde, durante a Segunda Guerra Mundial, a substância foi muito consumida na Alemanha para compensar a falta de bebidas alcoólicas. No Brasil, o éter foi o ingrediente básico do lança-perfume, um produto carnavalesco que podia ser inalado para gerar euforia e desinibição. Apesar de proibido em 1961 pelo então presidente Jânio Quadros, o lança-perfume continuou bastante difundido no país, sendo contrabandeado principalmente da Argentina, onde é fabricado legalmente. A utilização medicinal do éter remonta a 1846, quando a droga passou a ser inalada como anestesiante. Doses moderadas de éter deprimem o sistema nervoso central, produzindo efeitos inebriantes. O consumo de éter pode provocar gastrite e até mesmo morte em casos de overdose. O clorofórmio foi descoberto simultaneamente na Alemanha, na França e nos Estados Unidos, em 1831. A substância é um líquido pesado e incolor, que desprende vapores quando mantido em temperatura ambiente. Inicialmente o líquido e seus vapores foram considerados como substitutos seguros para o álcool, já que pequenas quantidades de clorofórmio causam euforia e desinibição sem produzir ressacas. A substância foi aplicada como anestésico em partos e cirurgias a partir de 1847, provando-se capaz de agir oito vezes mais rápida e poderosamente que o éter. Com o passar do tempo, constatou-se que uma overdose da droga poderia causar morte súbita por depressão circulatória, o que fez com que o clorofórmio fosse paulatinamente abandonado pelos médicos em favor de outras drogas anestésicas. Devido à sua potência, o clorofórmio pode ser letal se ingerido oralmente em grande quantidade. Maconha A maconha é uma das várias preparações possíveis da planta fêmea da Cannabis Sativa, erva originária da Ásia, da qual são extraídas outras drogas como haxixe, bhang, kif, etc. A planta cresce em estado selvagem no mundo inteiro e, de acordo com o lugar, é conhecida por um nome diferente. Os jamaicanos a chamam de "ganja", enquanto os americanos e mexicanos a conhecem como "marijuana". Seu princípio ativo, concentrado na resina das folhas e flores superiores, é o delta-9-tetrahydrocannabinol, conhecido simplesmente como THC. Fumada comumente como cigarro (*) que contém de 4 a 40 miligramas de THC, a maconha produz efeitos psicológicos e químicos que lhe são peculiares. Pessoas diferentes estão sujeitas a reações diversas, e a droga pode ser levemente alucinógena, relaxante, tranquilizante, estimulante do apetite ou intoxicante. Os efeitos variam na proporção da quantidade fumada, da potência da maconha e das características da personalidade do usuário. A erva tem muito pouco em comum com o LSD e os verdadeiros psicodélicos, mas tem muita afinidade com o álcool e outros sedativos, e ainda certa similaridade com as anfetaminas e outros estimulantes. Na opinião de vários cientistas, a maconha, decididamente não é um narcótico - o Dr. Frederick Meyers a classifica como sedativo-estimulante, enquanto o Dr. Leo Hollister a enquadra como sedativo-ativo-hipnótico-psicodélico. Um baseado, como também é conhecido o cigarro de maconha na gíria dos usuários, produz efeitos que começam alguns minutos depois do consumo da droga, e perduram por um período que vai de 1 a 2 horas. As únicas alterações físicas causadas pela maconha são: aceleração temporária do batimento cardíaco, com o consequente aumento da pressão sangüínea, ligeira redução de temperatura, avermelhamento dos olhos e secura da boca e das vias respiratórias. Os efeitos psicológicos podem ser de calma e introspectiva euforia ou de aumento de sociabilidade do usuário, que em alguns casos se engaja em intermináveis discussões sobre assuntos triviais. A maconha, de modo geral, intensifica a concentração em detalhes ou em determinadas atividades, embora também possa causar dispersão. A percepção do próprio eu e do mundo exterior é aumentada e, ao mesmo tempo, distorcida. Profundos pensamentos brotam à mente e o usuário tem a impressão de ter feito importantes descobertas filosóficas, que geralmente se mostram irrelevantes depois de dissipados os efeitos da droga. Os pensamentos acontecem em vários níveis simultâneamente, o que quase sempre leva à conclusão e à incapacidade de coordenar as idéias. Tudo parece motivo para risos, que muitas vezes se transformam em crises intermináveis de gargalhadas. Conversações entre drogados com maconha costumam chegar a um ponto em que todos esquecem o assunto discutido. Esquecimentos são freqüentes, assim como um relaxamento da noção de tempo e de espaço. Às vezes o usuário da droga pode experimentar obsessões peculiares que chegam até a um comportamento compulsivo. Muitos sentem uma obsessão por comida, principalmente doces e frutas, embora qualquer alimento se torne agradável ao paladar. O sentido da audição é apurado, o que faz com que a música se transforme em outra obsessão dos usuários da droga. Para alguns, a maconha também produz relaxamento e desinibição que induzem à prática de sexo, apesar de a droga não ser considerada afrodisíaca. Outros, todavia, experimentam efeitos contrários, como aumento da ansiedade, da depressão e da paranóia, que podem evoluir para reações psicóticas e de pânico. Quaisquer que sejam os efeitos, entretanto, eles desaparecem em no máximo três horas após o consumo da maconha, cujas conseqüências fisiológicas e psicológicas são consideradas de menor importância em comparação com outras drogas psicoativas. A maconha produz, sem dúvida, alterações na percepção e nos reflexos, o que torna seu uso contra-indicado para pessoas em atividades que exijam grande atenção, como dirigir automóvel, por exemplo. Não existem casos comprovados de morte por intoxicação de maconha, nem provas definitivas de que ela cause dano cerebral, esterilidade, impotência ou insanidade. Do ponto de vista farmacológico, a aspirina é encarada como uma substância capaz de provocar mais problemas que a maconha. Sob o aspecto médico e social, o álcool e o tabaco são considerados mais perigosos. Apesar disso, alguns autores consubstanciam a tese de que a maconhha deve permanecer proibida sob alegação de que seu uso representa o primeiro passo para o consumo de drogas mais nocivas. Os críticos da erva citam estudos feitos no Oriente Próximo com fumantes de haxixe para provar que o uso da maconha está associado com a psicose. Outra pesquisas feitas com macacos sugerem que o uso da maconha pode resultar numa redução de 40 a 50% de nascimentos de filhos saudáveis, resultados esses extrapolados, pelos adversários da droga, para a espécie humana. Também na área de reprodução afirma-se que o emprego da droga pode levar a uma redução dos hormônios, principalmente dos espermatozóides. Alega-se ainda que a maconha causa dano cerebral permanente, envelhecimento precoce do cérebro e um tipo de letargia mental classificada como uma síndrome de falta de motivação. Os detratores da droga asseguram que a maconha reduz a resistência do organismo às doenças infecciosas e ao câncer, além de provocar reações pré-cancerosas nas células pulmonares. De todas essas acusações, a única realmente comprovada é a de que a fumaça da maconha pode causar problemas ao fumante, já que comtém grande teor de monóxido de carbono e alcatrão, comparável ao dos mais baratos cigarros sem filtro. Usuários sofrendo de bronquite ou problemas respiratórios estão sujeitos a um agravamento de seus males, devido à inalação da fumaça de maconha. Defensores da maconha, por seu lado, contestam as demais acusações, procurando demonstrar que a maior parte delas é resultado de interpretação distorcida de dados obtidos através de experiências que pouco tem a ver com a realidade. Quanto ao argumento de que fumar maconha leva ao consumo de drogas mais perigosas, estatísticas norte-americanas mostram que, de fato, o número de usuários de maconha vem diminuindo nos últimos anos, apesar de vários estados terem descriminalizado a droga. Neste mesmo período, aumentou assustadoramente a quantidade de viciados em cocaína, os quais pareciam não consumir maconha. Com relação aos estudos feitos com fumadores de haxixe do Oriente Próximo, argumenta-se que este preparado tem potência oito vezes maior que a da maconha, embora ambos sejam extraídos da Cannabis sativa. Desta forma, conclusões a respeito do uso de haxixe não poderiam ser aplicados a casos de usuários de maconha. E com relação as experiências realizadas com macacos, sabe-se que os animais foram alimentados diariamente com THC sintético puro, uma poderosa substância que só é empregada em laboratórios de pesquisa, não estando, por isso, ao alcance do usuário comum. A quantidade de maconha aplicada aos macacos equivalia a noventa cigarros diários, consumidos ininterruptamente durante seis meses. Em outros testes, o THC puro foi ingetado diretamente no estômago dos ratos, uma forma de consumo de droga sem qualquer paralelo com o uso da maconha comum. Os estudos que levaram à conclusão de que o emprego frequente da maconha aumenta a probabilidade de problemas genéticos e de nascimentos defeituosos foram feitos com pessoas que utilizavam não só a maconha, mas também outras drogas, o que compromete a credibilidade da pesquisa. E cinco outros estudos realizados sobre essa mesma questão não obtiveram informações que corroborassem com a referida acusação. Ainda relacionada à área sexual, afirma-se também que a maconha pode levar à esterilidade ou à impotência entre os homens. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos, em 1972, tendo como objetivo um grupo de jamaicanos que haviam fumado uma média de sete cigarros por dia por mais de dezessete anos, mostrou que depois de duas semanas de abstinência da droga, os níveis hormonais dessas pessoas estavam no limite mais alto da faixa considerada normal. Quando os usuários voltaram ao consumo pesado de maconha, estes níveis não diminuíram. Isto sugere que o emprego intenso da droga pode realmente alterar os níveis hormonais do organismo, embora essas alterações sejam passageiras e reversíveis. A afirmação de que a droga causa dano cerebral surgiu depois de um estudo com apenas dez indivíduos, sendo que todos eles eram usuários de outras drogas e alguns apresentavam evidências de dano cerebral antes de se submeterem à experiência. O estudo realizado com os jamaicanos serviu também para contradizer a acusação de que maconha reduz a resistência do corpo ao câncer e às infecções, demonstrando que a incidência de doenças e a taxa de mortalidade dos usuários não era diferente da dos não-usuários de maconha. A controvérsia sobre os malefícios da maconha ainda não chegou a conclusões definitivas, embora a droga seja conhecida e usada há milênios. Registros feitos na China, em 2737 a.C., contam que a Cannabis sativa era empregada na época em preparados medicinais. A planta é citada até no Velho Testamento, onde Salomão canta e louva as propriedades da erva, por ele denominada kalamo. Documentos deixados por Marco Polo revelam que a maconha era cultivada na Ásia e no Oriente Próximo não apenas por causa de suas fibras, usadas na fabricação de cordas e tecidos, mas também por suas propriedades psicoativas. Foram os conquistadores espanhóis que trouxeram a Cannabis Sativa para as Américas, plantando-a no Chile no final do século 16, embora outras fontes assegurem que a planta já se havia disseminado pelo continente americano muito tempo antes da descoberta do Novo Mundo. Os colonizadores britânicos que se estabeleceram na América do Norte receberam estímulos do rei Jaime I para cultivar a erva como forma de conseguirem matéria-prima para a produção de cordas e velas para os navios da Armada Real. Ainda nos Estados Unidos, o Departamento de Agricultura incentivou a plantação de maconha durante a Segunda Guerra Mundial também com a finalidade de produzir fibras para a indústria têxtil. Intelectuais e escritores europeus do século 19 foram os primeiros a difundir no Ocidente o uso recreativo da Cannabis sativa. Na década de 20, durante a Lei Seca, algumas cidades americanas assistiram a um breve surto de consumo de maconha em função da falta de álcool. Em Nova York, por essa época, chegaram a existir mais de quinhentas "casas de haxixe", que funcionavam como verdadeiros bares, onde em vez de álcool os freqüentadores consumiam a erva. Dez anos mais tarde, a droga era proibida pela lei americana, enquanto as bebidas alcoólicas voltavam a ser legalizadas. No Brasil, a Cannabis sativa foi usada originariamente por escravos que já conheciam suas propriedades antes de serem trazidos da África. Em 1943, o relatório Campanha contra o Uso da Maconha no Norte do Brasil informava que o uso da planta na região era largamente difundido entre as camadas mais baixas da população. O documento afirmava que os principais focos de irradiação do vício da maconha estavam localizados no vale do rio São Francisco e nos Estados do Maranhão, Piauí, Alagoas e Sergipe, apesar de a droga ter adeptos também na Bahia, em Pernambuco, no Rio de Janeiro e São Paulo. Os anos 60 assistiram a um novo e muito maior surto do consumo da maconha, que se tornou uma das drogas da moda, primeiramente nos Estados Unidos e na Europa, em seguida no resto do Mundo. Na década seguinte, a maconha já havia perdido sua característica de droga de hippies para ser habitualmente utilizada por estudantes, profissionais liberais e muitos outros seguimentos da sociedade. Hoje, algumas estatísticas indicam que o consumo talvez esteja diminuindo, enquanto outra substância se impõe como a droga da moda: a cocaína. Mas a Cannabis sativa não pode ser encarada apenas como uma droga recreativa. Ela também vem sendo empregada com fins terapêuticos há muito tempo: na China, ela foi usada como anestésico há quase quatro mil anos, e existem evidências de que os antigos egípcios a recomendavam como remédio para os olhos. O emprego medicinal da maconha também é uma tradição entre povos africanos e asiáticos, que a recomendavam para aliviar tosses, dores de cabeça e cólicas menstruais. A história registra que o médico particular da rainha Vitória da Inglaterra concluiu, no século 19, que a maconha, estudada por ele durante trinta anos, tinha aplicações no tratamento de enxaqueca, insônia senil, depressões, estados epilépticos, cólicas e ataques de asma. Neste mesmo século, a medicina recomendava a droga para males que iam da gota à insanidade ou à impotência. Em 1860, a sociedade médica de Ohio, Estados Unidos, divulgou pesquisas indicando que a maconha era adequada no tratamento de tétano, dores reumáticas, asma, psicoses pós-parto, convulsões, gonorréia e bronquite crônica. O mesmo documento afirmava que a droga produz um sono mais natural, sem interferir com a ação dos ógãos internos, sendo dessa forma preferível aos compostos opiáceos então utilizados para se obter os mesmos efeitos. Entre os anos de 1839 e 1900, centenas de artigos acadêmicos foram publicados tendo como tema as aplicações médicas da Cannabis sativa, que era ingrediente principal de diversos remédios fabricados por laboratórios como Parke-Davies, Squibb e Lilly, vendidos nos Estados Unidos sem qualquer restrição. A aplicação medicinal da maconha começou a diminuir nas primeiras décadas do século 20, quando a descoberta da morfina e dos barbituratos resultou no surgimento de drogas novas e mais potentes. A Cannabis Sativa foi banida da farmacologia a partir de 1942. Hoje em dia alguns pesquisadores têm confirmado que a maconha pode ter uso potencial em casos de perda de apetite, anorexia nervosa, ataque cardíaco, enxaqueca, hipertensão, crises hepiléticas e insônia. Para certos médicos, a droga parece ser relativamente segura, com potencial de toxidade e vício inferior ao da aspirina. A maconha não provoca tolerância no organismo e nem síndrome de abstinência quando seu uso é suspenso. Conclui-se também que a maconha funciona como agente antiemético, controlando as náuseas e vômitos que resultam do tratamento quimioterápico do câncer. No final da década de 70, cientistas norte-americanos estabeleceram que a droga pode reduzir significativamente as pressões intra-oculares associadas ao surgimento de glaucoma. Diante de todas essas informações disponíveis sobre a maconha, alguns autores afirmam que a perseguição aos usuários da droga pode ser considerada uma espécie de "síndrome de bode expiatório", fenômeno descrito pelos antropólogos como a seleção, por uma determinada sociedade, de um grupo minoritário a ser punido pelos vícios de toda uma população, cuja culpa é dessa forma extirpada através do sacrifício de vítimas simbólicas. Todavia, a proibição da maconha não é uma prática generalizada. Em alguns países islâmicos, por exemplo, a erva tem o seu consumo permitido, já que o Corão não a proíbe, ao contrário do álcool, considerado fora da lei. Alguns Estados norte-americanos, como Oregon, Maine, Nova York, Mississipi, Colorado e Califórnia, possuem leis que, de uma forma ou de outra, descriminalizam o porte e o consumo da maconha, livrando o usuário de uma possível prisão. A campanha pela descriminalização total da Cannabis nos Estados Unidos prossegue, contando com o apoio de entidades tão insuspeitas como a Associação dos Advogados Americanos, a Associação Americana de Saúde Pública, o Conselho Nacional de Igrejas, a Academia Americana de Pediatras e a Associação Nacional de Educação, entre outras. No Brasil, o Conselho Federal de Entorpecentes, sob orientação do advogado Técio Lins e Silva, vem propondo, desde 1985, uma ampliação do debate para redefinir a atitude oficial sobre a criminalização da maconha.
(*) Um usuário comum consome habitualmente uma média de cinco cigarros de maconha por dia. Algumas verdades e mentiras sobre a maconha :
Verdades:
Reprimir não reduz o consumo: Legalizado em 1976 na Holanda, o consumo cresceu de 3% para 12% em 1991. Nos Estados Unidos, a repressão aumentou e o consumo subiu muito mais. Chegou a 50% dos alunos do segundo grau; Maconha pode causar câncer de pulmão: Alguns estudos sustentam que a maconha mais do que a nicotina pode iniciar alterações cancerígenas em células do pulmão; Não prejudica o feto: Não há nenhuma comprovação de que o consumo materno de maconha faça mal ao feto, segundo a OMS; Não atrapalha a performance de esportistas:Atletas como jogadores de futebol que fumam até três cigarros de maconha por dia não apresentam nenhuma diferença de capacidade respiratória em relação aos que não fumam.
Mentiras:
Maconha vicia mais do que cigarro e álcool:90% das pessoas que usam maconha na juventude param de fumar por volta dos 30 anos. Quem experimenta cigarro e álcool continua a consumí-los por muito tempo ou toda a vida; Destrói a atenção, a memória e a capacidade de aprender:As pesquisas negam o clichê do maconheiro sonhador e distraído. Fumar ou não produz diferenças mínimas; É mais fácil parar de beber do que parar de fumar maconha:A abstinência de cannabis pode gerar na pior das hipóteses insônia, ansiedade e sintomas semelhantes aos de um resfriado; Não existe maconha de laboratório mais forte e viciante:Pacientes que procuram centros de desintoxicação permitem observar que isso está de fato acontecendo.
Arqueologia da Repressão A História registra períodos nos quais a cannabis foi reprimida. O Santo Ofício baniu o consumo da maconha e outras ervas medicinais no século XII. Qualquer pessoa usando a cannabis passou a ser perseguida por "bruxaria", entre elas Santa Joana D'Arc, acusada em 1430 de usar uma variedade de ervas, incluindo a maconha, para "ouvir vozes". Mas nenhuma repressão teve abrangência geográfica como a movida contra essa planta pela civilização contemporânea. Na década de 30, um desconhecido médico de Sergipe, Alexandre Ferreira, relacionou a maconha à prostituição, relacionando à erva "a motivação para o comércio intersexual, pois sob seus efeitos as prostitutas se entregam ao deboche com furor e, sem fregueses ou parceiros, são capazes de praticar o amor lésbico, para satisfazer as exigências da droga." Mas a Ciência não foi a grande responsável pela repressão à maconha, a qual acabou incluída na Carta das Nações Unidas. Os EUA, país com maior poder de persuasão quando da criação da ONU, tiveram um papel fundamental. Até os anos 20, a marijuana era consumida pelas camadas mais pobres da população, especialmente os negros e latinos. Não representava problema social. Na década de 20, no entanto, a cadeia de jornais de William Randolph Hearst começou uma campanha para criminalizar o uso da maconha. Tornaram-se comuns as manchetes de acidentes de carros nos quais era encontrado um cigarro de maconha. Hearst também usou a droga para pintar um quadro mostrando os mexicanos como preguiçosos maconheiros. Tudo porque o governo mexicano lhe havia confiscado uma propriedade. As publicações do magnata também afirmavam que os negros que violentavam brancas o faziam sob efeito da cannabis. Reportagens retratavam negros e chicanos como bestas enlouquecidas sob a influência da maconha, que tocavam uma "música satânica" (jazz). Isso levou o Departamento do Tesouro americano a instituir um proibitivo "imposto da marijuana" em 1938 e o Congresso começou as audiências para passar uma lei proibindo o consumo. Em 1948, membros do comitê do Congresso que examinava as atividades comunistas nos EUA alegaram que a maconha deixava seus usuários pacíficos - e pacifistas! -, e que os soviéticos poderiam usar a erva para tirar a vontade de lutar dos americanos, tornando o país uma nação de zumbis. Logo, quase todos os países do mundo adotaram legislação repressiva à cannabis. Finalmente, por iniciativa dos EUA, da Venezuela, do Brasil e de Gana, a maconha entrou na Carta de Princípios da ONU como um inimigo a ser combatido e debelado e seu consumo vedado nos países signatários e membros da organização.
MORFINA Morfina é o principal alcalóide do ópio e tem intensa ação hipoanalgésica. A heroína(diacetilmorfina) é semi-sintética e tem efeitos centrais mais intensos que os da morfina. Curiosamente ela foi introduzida inicialmente para o tratamento da dependência à morfina. Tolerância e dependência podem se desenvolver já após as primeiras doses dessas drogas e aumentam de intensidade em proporção direta com o aumento das doses e a freqüência de administrações. Desta forma a dependência aos opiáceos pode ocorrer com o uso de doses terapêuticas, no que difere então dos grupos de drogas como álcool ou os barbitúricos, onde doses muito acima das usuais são associadas com fenômenos de dependências. O efeito dos opiáceos é variável com a droga, a via de administração, a dose e a sensibilidade individual. Quando administrada em dose suficiente, geralmente pôr via intravenosa, a morfina e a heroína produzem uma sensação de prazer descrita como equivalente a um orgasmo medicamentoso. O efeito mais duradouro é o estado de satisfação de todos os impulsos e desejos, geralmente com a sensação de estar flutuando e de que tudo está bem. Ao observar, o indivíduo sob a ação de um opiáceo parece apático, letárgico, com respiração superficial, hipotensão ortostática, vasodilatação, miose, apresentando ainda uma diminuição da motilidade intestinal e obstipação. Como o efeito persiste por poucas horas e a síndrome de abstinência é muito desagradável, o dependente usa várias doses em um dia e permanece drogado a maior parte do tempo. Com isso sua produtividade social cai e a não ser que ele seja de classe social alta (o que não é habitual), acaba se envolvendo em atividades ilícitas ou criminosas para poder sustentar seu consumo de drogas . A SÍNDROME Pesquisadores experientes como SHUSTER acreditam que as primeiras doses são tomadas por curiosidade ou para obter efeitos euforizantes, mas que a partir da quarta ou quinta dose a finalidade principal das administrações repetidas é evitar o intenso desconforto da síndrome de abstinência. Essa síndrome inclui pode ser provocada em viciados, pelos antagonistas da morfina(nalorfina, naxolona) e pode também ser considerada em animais pareando-se o antagonista com um estímulo condicionado, o que sugere haver uma interação entre fatores farmacológicos e psicológicos em sua produção. O TRATAMENTO O tratamento consiste inicialmente de desintoxicação por metadona. A metadona é sintética, ativa por via oral. Seus efeitos tem duração prolongada. A própria metadona causa dependência física, porem de menor intensidade que a heroína ou a morfina. Segundo a OMS, as características de dependência a opiáceos podem ser resumidas assim:
1 - Intensa dependência psicológica que se manifesta por um forte impulso ou compulsão a continuar tomando droga por prazer ou para evitar desconforto, e obter a droga por quaisquer meios. 2 - Precoce desenvolvimento de dependência física que aumenta de intensidade em paralelo com o aumento da dose; isto requer administração continuada da mesma droga ou sua similar, para manter a homeostase e impedir o aparecimento de sinais e sintomas de abstinência. Tanto a retirada da droga quanto a administração de um antagonista específico precipitam a síndrome de abstinência. 3 - Tolerância, necessidade der der administração de doses maiores para a obtenção do efeito inicial.
O ópio é a única droga que foi motivo declarado para uma guerra. No século 17, a British East India Company produzia ópio na Ídia e o vendia em grande quantidade para a China. Até que, em 1800, o Imperador Ch'ung Ch'en proibiu o consumo da droga, que se alastrava pelo território chinês como uma verdadeira epidemia. Todavia o contrabando prosseguiu e, em 1831, a venda de ópio em Cantão atingiu o equivalente a 11 milhões de dólares, enquanto que o comércio oficial deste porto chinês não passou dos sete milhões de dólares. A insistência do governo chinês em reprimir o uso e a venda da droga levou o país a um conflito com a Inglaterra, conhecido como a Guerra do Ópio. Ela começou em março de 1839, durou quase três anos e terminou com a vitória dos ingleses, que obrigaram a China a liberar a importação da droga e a pagar indenização pelo ópio confiscado e destruído em todos esses anos, além de ceder Hong Kong. Como resultado, em 1900, metade da população adulta masculina da China era viciada em ópio. Uma das substâncias mais viciantes que existe, o ópio é produzido a partir da resina extraída das cápsulas de sementes de papoula, (Papaver somniferum), planta originária da Ásia Menor e cultivada na Turquia, Irã, Índia, China, Líbano, Grécia, Iugoslávia, Bulgária e sudoeste da Ásia, onde se localiza o famoso Triângulo Dourado. A droga é feita retirando-se um líquido leitoso das cápsulas da papoula, que, depois de secado, resulta numa pasta amarronzada, que então é fervida para se transformar em ópio. Processamentos posteriores do ópio resultam em morfina, codeína, heroína e outros opiáceos. No mercado ilegal, o ópio é vendido em barras ou reduzido a pó e embalado em cápsulas ou comprimidos. Ele não é fumado e sim inalado pelos usuários, já que em contato direto com o fogo o ópio perde suas propriedades narcóticas. A droga também é comida e consumida como chá ou, no caso de comprimidos, dissolvida sob a língua. Uma dose moderada faz com que o usuário mergulhe num relaxado e tranquilo mundo de sonhos fantásticos. O efeito dura de três a quatro horas, período em que o usuário se sente liberado das ansiedades cotidianas, ao mesmo tempo em que seu discernimento e sua coordenação permanecem inalterados. Nas primeiras vezes, a droga provoca náuseas, vômitos, ansiedade, vertigens e falta de ar, sintomas que desaparecem à medida que o uso se torna regular. O consumidor freqüente torna-se passivo e apático, seus membros parecem cada vez mais pesados e sua mente envolve-se numa onda de letargia. Como os seus derivados, o ópio provoca tolerância no organismo, que passa a necessitar de doses cada vez maiores para se sentir normal. O aumento da dosagem leva ao sono e à redução da respiração e da pressão sangüínea, podendo evoluir, em caso de overdose, para náusea, vômito, contração das pupilas e sonolência incontrolada, passando à coma e morte por falha respiratória. A overdose pode ser causada não apenas por um aumento da dosagem de ópio, mas também pela mistura da droga com álcool e barbitúricos. Como o ópio causa grave dependência, o consumidor habitual pode morrer em razão da síndrome de abstinência, caso o uso da substância seja suspenso abruptamente. Especialistas afirmam que a inalação casual da droga dificilmente causa vício, embora seja desconhecido o ponto exato em que a pessoa se torna dependente de ópio. Uma vez viciado, o indivíduo deixa de sentir o estupor originalmente produzido pela droga, passando a consumir ópio apenas para escapar dos terríveis sintomas da síndrome de abstinência, que duram de um a dez dias e incluem arrepios, tremores, diarréias, crises de choro, náusea, transpiração, vômito, cólicas abdominais e musculares, perda de apetite, insônia e dores atrozes. Pesquisas recentes indicam que os opiáceos podem causar mudanças bioquímicas permanentes a nível molecular, fazendo com que o ex-viciado se mantenha predisposto a retornar ao vício mesmo após anos de privação do uso de opiáceos. O ópio possui diversos alcalóides, entre eles a morfina, principal responsável pelo efeito narcótico. Outros alcalóides fazem do ópio um agente anestésico, e por milhares de anos a droga foi utilizada como sedativo e tranquilizante, além de ser ministrada como remédio para disenteria, diarréia, gota, diabetes, tétano, insanidade e até ninfomania. O ópio também já foi considerado medicamento útil na alcoolismo, sendo que no século 19 milhares de alcoólatras passaram a consumir preparados de opiáceos para se livrar da bebida, mas apenas trocavam uma droga por outra.
Tranquilizantes
Drogas tranquilizantes são uma invenção do século 20, desenvolvidas para aliviar ansiedades, preocupações e temores. Junto com álcool, nicotina e aspirina, os tranquilizantes são as drogas mais usadas e abusadas no mundo. São várias as categorias em que estão divididos os tranquilizantes, que, de maneira geral, atuam como agentes depressivos do sistema nervoso central. Eles podem ser: Benzodiazepinas: Considerados tranquilizantes menores, incluem medicamentos como Librium e Valium, duas substâncias farmacologicamente similares, que são consideradas as drogas mais amplamente receitadas no mundo todo. Esses dois remédios têm ação prolongada e pequeno potencial de overdose ou formação de hábito. Consumidores de doses excessivas, porém, podem tornar-se viciados. Meprobamatos: Representados principalmente pelos medicamentos Equanil e Miltown, vendidos e receitados desde 1955, considerados inicialmente como remédios seguros e não viciantes para o alívio de ansiedades. Mais tarde, descobriu-se que essa substâncias possuíam enorme potencial de overdose e de indução ao vício, produzindo euforia e efeitos semelhantes aos dos barbitúricos. Metaqualona: Categoria que inclui medicamnetos como Quaalude e Mandrax (ou Mandrix), substâncias sedativas e hipnóticas não-barbitúricas, semelhantes aos meprobamatos. Atualmente, sabe-se que os metaqualones possuem grande potencial de overdose e de vício, embora há alguns anos a droga fosse considerada segura e incapaz de formar hábito. Fenobarbitais: Classe representada por tranquilizantes como Luminal. Quando usada por breves períodos, a droga tem baixo potencial de vício e overdose, agindo como relaxante muscular, sem os efeitos sedativos dos outros barbitúricos. Quando ingerida de forma intensiva, a substância pode causar dependência, com sintomas de síndrome de abstinência no caso de suspensão repentina. Fenotiazinas: Abrange, entre outros, os remédios Thorazine, Compazine, e Mellaril, considerados tranquilizantes maiores ou antipsicóticos, com aplicação no tratamento de esquizofrenia. Essas drogas têm potencial de overdose moderado, e praticamente não causam vício, embora possam gerar efeitos colaterais, como sintomas semelhantes aos apresentados por doentes do mal de Parkinson. Antidepressivos tricíclicos: Representados por produtos farmacêuticos como Elavil e Triavil, empregados para elevar o ânimo. Eles têm potencial de overdose considerável, embora seja baixo o risco de vício. Têm sido amplamente receitados, apesar de alguns médicos afirmarem que estes produtos só deveriam ser usados em caso de desordens psíquicas graves. Deve-se observar que a distinção entre tranquilizantes "maiores" e "menores" nada tem a ver com seu grau de potência, mas sim com sua estrutura química. Seu uso terapêutico atinge as áreas da odontologia, neurologia, cardiologia, obstetrícia e ginecologia, ortopedia, pediatria, dermatologia, cirurgia plástica e psiquiatria. Afirma-se também que os tranquilizantes são úteis em alguns casos de tratamento de viciados em álcool, anfetaminas, heroína ou barbitúricos. Sob o ponto de vista médico, eles são classificados como sedativos, anticonvulsivos, relaxantes musculares, agentes antiansiedade e soníferos. Os tranquilizantes atuam sobre o sistema límbico do cérebro, afetando as conexões dos circuitos sensoriais e motores, o que gera depressão do sistema nervoso central. O usuário é induzido a um estado de calma e tranquilidade, enquanto os músculos ligados ao esqueleto relaxam, fazendo desaparecer tensões e ansiedades. A euforia resultante do emprego da droga pode afetar a coordenação, a fala, os impulsos sexuais e a capacidade de concentração, reduzindo a agressividade e induzindo ao sono. A duração e a intensidade dos efeitos dependem do tipo de tranquilizantes, da dosagem e das características de personalidade do usuário, que, em alguns casos, pode ser lavado à dependência psicológica. A dependência, tanto psicológica quanto física, pode sobrevir em casos de uso intenso e prolongado, e o abandono do vício pode ser muito difícil, produzindo desagradáveis sintomas de abstinência, que surgem entre quatro e oito horas depois da suspensão da droga. De acordo com a potência dos tranquilizantes, o metabolismo do usuário e a frequência do uso, estes sintomas podem incluir ansiedade e hiperexcitação, reduções no pulso e na respitação, dificuldade de coordenação e fala, náusea, vômitos, tremores e convulsões. Os tranquilizantes podem matar, caso sejam combinados com outros depressivos do sistema nervoso central, que potencializam os seus efeitos, como álcool, barbitúricos, opiáceos, sedativos-hipnóticos e narcóticos sintéticos. Os tranquilizantes também são desaconselháveis durante a gravidez, já que eles penetram na placenta, aumentando os riscos de morte do feto ou o surgimento de problemas cardíacos congênitos, anormalidades do esqueleto e outros defeitos de nascimento. Um dos casos mais famosos nessa área é o da Thalidomida, uma pílula para dormir não-barbitúrica, que se mostrou responsável pelo nascimento de crianças gravemente deformadas. Os tranquilizantes também podem se infiltrar no leite materno, e por isso devem ser evitados mesmo após o parto. Além de todos esses riscos, os tranquilizantes também podem gerar tolerância, se bem que em grau menor que os barbitúricos. A tolerância pode surgir apenas em algumas semanas, caso a droga seja ingerida três vezes ao dia, o que faz com que ela se mantenha constantemente na corrente sangüínea. Os efeitos colaterais incluem apatia, diminuição da pressão sangüínea, problemas visuais, desorientação, confusão, fraquezas musculares, dores de cabeça, perturbações estomacais, perda de coordenação, vertigens, irregularidades menstruais e de ovulação, ansiedade e alucinações. Em alguns usuários, os tranquilizantes produzem estimulação em vez de sedação, tendo como conseqüência a hiperexcitabilidade, insônia, hostilidade e inclinação a acessos de raiva. Doses excessivas podem causar tremores, perda da coordenação muscular e convulsões. |