Partido do 3dPhilipe Kling David As eleições estão se aproximando. Você já se filiou ao seu partido? Muitos leitores da revista são filiados ao PDM e não sabem. Outros são filiados ao PSSD. E existe a ala dos que são filiados de carteirinha ao PDMB... Talvez seja estranho começar uma coluna na Digital Designer assim, mas o fato é que desde que as comunidades de usuários do 3d começaram sua curta existência, vemos as tradicionais perguntas dos novatos que os mais antigos já estão cansados de ler que é: “Qual o melhor, o Max ou o Maya?” Até que a sociedade formulasse uma resposta padrão para a tradicional pergunta, com variações como: “Não existe programa melhor...” ou “É o talento do usuário que importa...” este tipo de questionamento divide usuários não só do Brasil mas do mundo todo em fóruns e listas de discussão espalhados pelos quatro cantos da internet. Em pouco tempo, começamos a descobrir que existem certos partidos na disputa pelo software ideal. O PUSSD por exemplo é o “Partido dos Usuários Sem Software Definido”. Estes estão focados no problema a resolver. Pra estas pessoas usar Max, Maya, Poser ou Corel desde que resolva a dificuldade que se apresenta, é uma alternativa válida. São estes os fãs do bordão do “não existe software melhor”. Os membros filiados ao PUM ou “Partido dos Usuários do Max” defendem o programa da discreet dos ataques de seus adversários: os filiados ao partido PUDMB, ou Partido dos Usuários do Maya no Brasil. Por que estas disputas ingênuas chegam ao ponto de se assemelhar a disputas políticas entre partidos, ou verdadeiras guerras santas em alguns casos? Será que de fato existe uma real necessidade de se aglomerar em grupinhos ou panelas dos usuários do programa X ou programa Y? Há até quem acredite que consegue perceber no produto final a diferença resultante do uso de um programa ou de outro. Obviamente que não estou falando dos consumidores comuns, como a minha mulher, que recentemente me perguntou se aquele personagem, o Et do Terra era alguém vestindo uma fantasia com a cabeça animatrônica. O que eu quero dizer com isso é que para o consumidor, não faz a MENOR diferença se usamos Max, Maya, Cinema4D, Lightwave, XSI, ou seja lá o que for. Interessa é ficar um resultado decente, e isso quem pode resolver é o usuário e não o programa. À medida que mais empresas surgem mais programas são consumidos, a tendência da concorrência é o afunilamento e veremos ainda mais disputa, que provavelmente terminará no fator preço. Então poderemos testemunhar a queda gradual do custo desses softwares, o que permitirá a muitas produtoras de diferentes portes possuírem um leque mais amplo de softwares de 3d, usando o melhor de cada um a seus propósitos. Claro que existem programas que oferecem vantagens em uma área como animação, outros em modelagem, e outras em luz, render final e por aí vai... Mas isso é um assunto tecnicista que não interessa aos usuários. Para o cliente e consumidor é muito mais importante o roteiro ser bom do que o programa ser o mesmo que fez aquele filme de Hollywood. Ah, falando nisso, eu peço que os novatos caiam na real de que os softwares usados em filmes, sobretudo os de Hollywood, são campanhas de marketing dirigidas, visando justamente fazer com que eles repitam essa conversa mole de que como o programa X foi usado no filme “arrasa quarteirão” do semestre, então é porque só pode ser o melhor. Amigos, os fabricantes de software oferecem seus produtos para a indústria cinematográfica a preços de banana, algumas vezes até de graça, justamente porque lá está a nata dos FERAS de 3d. Eles tem equipes de cientistas de software que desenvolvem soluções de uso exclusivo para aquelas empresas e por isso sabem que o resultado sairá bom. É uma propaganda bem pensada para convencer os potenciais compradores de que adquirindo o programa terão aquele grau de qualidade. Infelizmente ao comprar, o usuário descobre que na caixa não veio junto o gênio de operador de Hollywood e terá que se contentar com animações mais toscas, bolinhas saltitantes e efeitos pré-montados, até conseguir arrumar um artista pra pilotar o programa. É um sonho inocente acreditar que algum dia um programa de 3d superará os demais. A concorrência e a demanda por potência e simplicidade farão com que os programas fiquem cada vez mais parecidos. A discussão fica cada vez mais vazia e parecida com os bate-bocas entre religiosos fanáticos de congregações concorrentes. Antes de sair por aí perguntando qual o programa melhor e o que te oferece mais vantagens, baixe as versões demo de cada um deles para experimentar (a grande maioria dos fabricantes programas sérios oferecem versões trial, com pequenas limitações para degustação) e veja o que mais se adapta a você. Faça uma auto-análise de suas necessidades, seus clientes e seus objetivos. A escolha do seu software deve ser baseada em diferentes fatores e um deles é o preço, o suporte, a estabilidade, entre outros. O melhor para mim pode ser horrível para você e assim por diante. A discussão do qual é melhor é que já está enjoativa e ninguém agüenta mais. Vamos nos unir em prol da campanha da abolição das perguntas de qual o software melhor. Somos usuários, técnicos e artistas. A discussão do software melhor em última instância é o ato de ignorar o talento individual do artista e usuário, creditando o sucesso ao programa. |